Nota de apoio ao movimento "Mexeu com uma, Mexeu com todas!"

Ser mulher continua perigoso.

É sabido que a violência sempre existiu e que outrora se dava dentro da esfera familiar, afinal, às mulheres não cabia outro lugar, senão a sua casa e seus afazeres domésticos, como cuidar dos filhos, estar na cozinha para cozinhar para seu marido, na sala apenas para receber os amigos do seu marido, e no quarto para lhe satisfazer as vontades sexuais. A casa era o local das mais violentas barbáries que essa mulher, posse de um homem, sentia, ouvia e sofria.

Se por um lado nos dias atuais temos conquistado mais espaços no mundo, percebemos que esse mesmo mundo ainda não nos aceita. Tudo criado e mantido nele vieram e veem de mãos masculinas: nossas leis, nossos costumes, nosso modo de nos relacionarmos com o próprio mundo e com a natureza. Tudo isso impede nossa (con)vivência em sociedade.

Nesse mundo onde lutamos e conquistamos pequenos espaços, nossa voz e representatividade continua sendo ínfima.

A cada dia gritamos que não somos objetos sexuais, não somos brinquedos eróticos, não estamos a serventia dos homens. Gritamos que somos cidadãs, que somos gente!! Mas insistem em não nos enxergar como tal e para sua facilidade, insistem também que nascemos para sermos expostas como troféus, para agradar padrões opressivos de beleza e desejos sexuais.

E não diferente do que vivemos TODOS OS DIAS, em casa, na rua e no trabalho, a professora Luana Rosário também sofreu. Foi mais uma vitima da sociedade dos homens: patriarcal, machista e heteronormativa.

No dia de luta que é o 8 de março, reconhecido internacionalmente como o dia das mulheres, Luana não pode descansar durante uma viagem de ônibus que realizava. Durante o trajeto acordou com a mão do passageiro, sentado ao seu lado, por debaixo de sua roupa. A mão de um homem desconhecido que ela não havia dado permissão para lhe tocar. Uma mão que simbolicamente representa a sociedade machista que nos expõe e impõe nosso corpo, nossa sexualidade e nossos desejos ao pés masculinos, que nos diminui e nos mostra como criaturas (porque não nos enxergam como pessoas) sem desejo próprio e ávidas para satisfazer o prazer de qualquer homem, apenas por ele o ser.

As mãos daquele homem em Luana, insistiam em apropriar-se do “objeto” que ele acreditava ser dele: a mulher e seu corpo.

Luanas, Marias, Anas e Carlas não podem viajar tranquilas! E na maioria das vezes, como a professora Luana Rosário, não podem contar com a polícia, pois a professora teve varias dificuldades para conseguir denunciar a violência que sofrera dentro do ônibus.

E como Luana, quantas de nós fomos julgadas e satirizadas nas delegacias ao tentar denunciar violência de gênero?

E quantas de nós teremos que ser violentadas, mortas ou impedidas de ter o direito de ir e vir?

Somos Luana, vivemos Luana, sentimos Luana e lutaremos com e por Luana!

A nossa luta e resistência é diária!

#‎mexeucomumaMexeucomtodas‬

Ilhéus, 27 de março de 2015

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